Guia de jardinagem para o seu condomínio
Num condomínio, os jardins são uma ótima opção para decorar o espaço - sem falar que existem diversos benefícios em um ambiente arborizado. Entretanto, a falta de manutenção pode comprometer o jardim: solo, plantas e folhas exigem cuidados para se manterem saudáveis.

Hoje, vamos falar um pouco sobre jardinagem: quais os principais cuidados que devem ser tomados com um jardim no condomínio? Quais as melhores plantas para se cultivar num condomínio, e quais é melhor evitar? Como combater pragas? Tudo isso e muito mais, você encontra aqui, no nosso guia para jardinagem em condomínios!
Como fazer uma boa manutenção no jardim?
Primeiro de tudo, vamos falar um pouco sobre a rega. Cada planta funciona de maneira diferente, e recomenda-se que fale com o vendedor para saber quantas vezes ela deve ser regada.
Caso não seja possível falar com o vendedor ou com um paisagista, é bom que se tenha alguns conhecimentos prévios. Por exemplo: plantas expostas ao sol podem ser regadas 1 ou 2 vezes por semana. Vasos que ficam dentro de casa não precisam de tanta água assim. Entretanto, jardins próximos de ventanias exigem atenção, pois precisam de ainda mais água para não secarem.
As estações também influenciam na rega - em climas quentes como o verão, as plantas exigem mais atenção para não secarem. Já no frio, a frequência da rega pode diminuir.
Entendi… mas e a manutenção?
O jardineiro responsável deve ter como maior inimigo as ervas daninhas - apesar de poderem ser retiradas sem muito esforço, com a mão ou uma pequena enxada, ainda é preciso ficar atento com essas plantinhas. É essencial adubar a terra, de três a quatro vezes por ano, e cada planta exige um tipo de adubação diferente. Fique de olho pra não errar a quantidade e o tipo de adubo, hein - descubra do que cada tipo de planta precisa, de acordo com a época, de quais adubos e fertilizantes específicos ela necessita, entendido?
Além de adubo, jardins também precisam de veneno - sim, veneno. O controle de pragas e fungos é essencial, porém deve ser feito da maneira correta; caso contrário, as plantas podem acabar morrendo, e até a saúde do jardineiro e dos moradores pode ser comprometida. Tratamentos contra pragas e doenças exigem atenção redobrada, por serem processos que podem facilmente comprometer o jardim, caso feitos de forma errônea.
Outro procedimento da manutenção é a poda - uma técnica que exige conhecimento e habilidade, pois uma planta mal podada também pode vir a falecer. Folhas e galhos grandes, secos ou doentes são indicativos de que pode ser o momento ideal para uma nova poda. O processo da poda será detalhado mais adiante no nosso guia, não deixe de conferir!
Outra dica importante é não adicionar plantas aleatórias no jardim do condomínio - o crescimento de uma raiz muito grande pode acabar comprometendo a estrutura do prédio ou das casas ao redor. Além disso, é indispensável se manter atento à correção das possíveis irregularidades do solo, assim como a renovação da quantidade de matéria orgânica.
Cada estação do ano exige cuidados específicos, mas em jardins de pequeno ou médio porte, recomenda-se que seja feita uma manutenção pelo menos uma vez por mês, de preferência diante de adversidades como seca ou estiagem.
No verão e na primavera, o ponto principal é a prevenção contra as pragas e doenças, que surgem pelo clima quente e pelas chuvas. Além disso, são boas épocas para se podar a grama e, caso necessário, corrigir o pH do solo. Já no outono, é recomendado se organizar para limpar os canteiros e iniciar o processo de adubações químicas específicas.
Por fim, o inverno é o verdadeiro inferno para o jardim. O clima frio faz com que seja preciso cobrir o gramado com terra mista peneirada ou com um substrato, para manter a umidade e deixar o sistema radicular mais forte.
Saquei! E na hora de comprar uma planta, o que devo considerar?
Toda espécie exige cuidados diferentes. Portanto, no momento da compra, tire todas as suas dúvidas com o vendedor. Alguns pontos importantes de se esclarecer são:
Quantas vezes a planta deve ser regada?
Como ela deve ser plantada?
É melhor deixá-la no sol ou na sombra?
É uma planta perene? Ou é de fases?
Devido ao seu longo tempo de germinação, não é recomendado comprar sementes - outras plantas acabam se desenvolvendo de forma mais rápida e ocupando todo o seu espaço. Ao escolher uma muda, dê preferência para as que possuem mais flores e folhas com menos manchas, além de conferir se não há nenhum inseto tentando pegar carona para a sua casa.
E mais uma dica nunca é demais, né?
Flamboyant, coqueiro anão, palmeiras e mangueiras são algumas espécies que não são recomendadas de se cultivar em áreas de condomínio, devido ao seu tamanho - o que influencia diretamente no porte da raiz e nas folhas.
Buxinhos, eugênias e fícus são plantas ideais para se cultivar em vasos, por serem de manutenção simples e de fácil poda. Flores e árvores frutíferas de pequeno porte, como romã, pitanga e acerola, também são boas opções para quem não tem muito espaço em casa.
Mas nem tudo são flores: muito cuidado com plantas espinhosas e venenosas, principalmente as que liberam um líquido quando as folhas se quebram - há risco de acidentes como queimaduras e envenenamentos. Espadas de São Jorge, espirradeiras e comigo-ninguém-pode são alguns exemplos de espécies para se evitar.
Por fim, o segredo de um jardim sempre florido é a diversidade: espécies que florescem em épocas diferentes jamais deixarão seu jardim sem cor.
Pragas no jardim: Dá pra controlar?
Quando se cultiva um jardim, sempre há a possibilidade de pragas e problemas surgindo. O que nem todos sabem é que certos problemas são menores do que parecem - muitas das pragas podem ser combatidas com inseticidas naturais.
Apesar de não serem difíceis de combater, o ideal é que o controle de pragas seja feito por um profissional especializado no assunto. Manusear inseticidas e outros defensivos agrícolas exige muita responsabilidade e conhecimento, pois uma aplicação equivocada pode acabar matando insetos benéficos, como joaninhas - ou até mesmo as próprias plantas.
Formigas, cochonilhas, grama amarelada e doenças são alguns dos problemas mais comuns em jardins. Para contornar tais situações, uma pulverização preventiva pode ser de grande ajuda contra pragas e fungos. Mas fique de olho na toxicidade - ninguém quer infectar os moradores e demais funcionários do condomínio, certo?
Confira agora algumas dicas específicas para cada tipo de problema que pode aparecer no seu jardim.
FORMIGAS: É possível não apenas combater, como também se prevenir das formigas utilizando formicidas específicos.
COCHONILHAS: Nesse caso, a prevenção deve ser feita por meio da pulverização. Para combater tal praga, recomenda-se o uso do óleo mineral.
GRAMA AMARELADA: Água e adubação podem ser utilizados na prevenção do problema - além de recobrir a grama com matéria orgânica durante o período do inverno.
Para lutar contra problemas simples sem utilizar de produtos industrializados agressivos, existem certas receitas e soluções caseiras para o uso cotidiano, por meio da agricultura orgânica. Já prepara o papel e a caneta, pois vai começar a sessão Ana Maria Praga!
SOLUÇÃO ADESIVA | Para misturar e fixar remédios
- 100g de sabão de coco (½ barra)
- 2,5L d’água
Pique o sabão de coco em pequenos pedaços e coloque-os na panela com a água.
Leve ao fogo, sempre misturando, até o sabão ter se dissolvido por completo.
Aguarde enquanto esfria e guarde num recipiente fechado.
Esta receita sozinha não pode controlar os problemas - sua verdadeira função é espalhar, diluir e fixar os remédios nas plantas. Para utilizá-la, é preciso misturá-la bem com outras receitas, momentos antes de se iniciar a pulverização.
CALDA BORDALESA | Para combater doenças e pragas em geral
- 80g de sulfato de cobre (7 colheres de sopa)
- 80g de cal virgem (7 colheres de sopa)
- 10 L d’água
- 1 balde de plástico
- 1 pano de algodão e um arame.
Pulverize o sulfato de cobre e coloque no pano, como se fosse um sachê.
Amarre o pano com o arame. Pendure o sachê dentro do balde com 8 L de água, de modo que não toque o fundo do balde.
Faça o leite de cal, colocando cal virgem na panela e adicionando lentamente 2 L de água, misturando até dissolver completamente.
Cuidado: A mistura esquenta muito e pode até queimar.
Espere 24 horas para misturar as soluções.
Confira o pH da calda, mergulhando uma lâmina de ferro na solução. Caso enferruje em poucos minutos, a solução está ácida e precisa de mais leite de cal. É importante testar a calda até o pH ficar neutro - quando a lâmina parar de enferrujar. Caso esteja ácida, a solução pode acabar queimando as folhas. Por fim, aplique a calda no mesmo dia, sem diluir.
CALDA DE FUMO | Para combater lagartas e pragas
- 50g de fumo em corda (aproximadamente 8 cm)
- 1 L d'água.
Pique o fumo em pedaços bem pequenos e coloque na panela junto com a água.
Ferva por 25 minutos e insira a solução adesiva.
Misture bem, tampe a panela e espere esfriar.
Coe e pulverize sobre as plantas no mesmo dia - o princípio ativo é muito volátil.
Use máscara e luvas ao trabalhar com fumo, pois é uma substância tóxica.
Ao aplicar sobre frutas e verduras, aguarde um prazo de até dez dias de carência antes da colheita, e não deixe de lavá-las muito bem antes de comer. Receita indicada contra lagartas, pulgões e outras pragas.
Ufa! Conseguiu anotar tudo? Lembrando que tais receitas exigem cuidados e uso de equipamentos de proteção individual. Não é ideal aplicar tais caldas em dias muito quentes, e nem chuvosos. Durante as florações também não é recomendado, pois as receitas em questão podem prejudicar a frutificação das plantas.
Floriculturas e lojas de produtos agropecuários são os lugares mais ideais para se procurar os ingredientes das receitas, mas é possível encontrar alguns em mercados municipais e lojas de artigos religiosos.
Além disso, existem diversas outras receitas alternativas para o controle de pragas - é possível ir muito além dos procedimentos da agricultura orgânica clássica!
Poda das árvores: Por onde começar?
Podar as árvores sem a devida autorização pode acabar trazendo até multas para o condomínio - e o procedimento é mais burocrático do que parece.
Tem quem ame e quem odeie - a poda é polêmica. Ache bonito ou não, vale lembrar que a poda não se resume a um procedimento estético, e não é uma questão nada simples. Para se ter uma noção, a decisão de podar ou não uma árvore depende diretamente de uma autorização da prefeitura, além de evidências do estado de saúde da árvore e análises caso a planta em questão seja ou não prejudicial à população. Dependendo do resultado do levantamento, a espécie pode acabar até mesmo sendo removida.
Então bora entender como é que isso tudo funciona, e qual o procedimento para que seja possível podar as árvores do condomínio sem ter maiores problemas.
Mas afinal, pra quê podar?
Antes de falar como funciona o processo, é válido explicar qual a necessidade do mesmo. A presença de árvores num condomínio vai muito além de uma escolha estética - entre os benefícios de um ambiente arborizado, estão a renovação e purificação do ar, redução da temperatura, absorção dos barulhos e ruídos, entre outros.
A poda pode não apenas trazer mais saúde para a planta, como também a segurança dos moradores do condomínio. Em árvores frutíferas, a poda estimula a geração de novos frutos, além de melhorar o vigor da madeira.
No meio de tanta polêmica e tanta burocracia, muita gente nem sabe qual a diferença entre a poda e o corte, tal qual os diversos estilos possíveis de poda em árvores.
Ué, e quais os tipos de poda?
Podas são serviços de limpeza de árvores, que se baseiam em retirar ramificações doentes (ou até mesmo mortas) para que seja possível fortalecer a saúde da espécie e amplificar o desenvolvimento de novos galhos e frutos. Existem 3 tipos de poda, sendo eles:
1) Formação
A poda de formação é feita na intenção de acrescentar um formato estético na árvore. Assim, é recomendado que o recorte seja feito por especialistas, que irão aliar a estética desejada com a funcionalidade e desenvolvimento da saúde da planta.
2) Limpeza/Manutenção
Um procedimento que é realizado na intenção de evitar que as ramificações quebradas, doentes ou mortas acabem caindo da árvore e colocando a sociedade em risco. Esse tipo de poda também traz benefícios na aeração dos ramos, e evita a proliferação de doenças.
3) Livramento
Também chamada de corte, esse estilo de poda ocorre quando a planta em questão se mostra como uma ameaça à população e/ou para o patrimônio público ou privado. Alguns exemplos são quando as raízes da planta interferem no encanamento, ou quando os galhos tocam nos fios elétricos. Mesmo diante de tais ocasiões, é preciso esperar pela decisão da prefeitura e dos órgãos ambientais, antes de simplesmente derrubar a árvore.
E como é que se poda uma árvore?
O crescimento de uma planta exige um balanço entre raiz, folhas e caule - e para isso, a poda deve ser feita da maneira correta e no tempo correto, para que a árvore se recupere precisamente do que foi cortado.
Árvores de repouso real devem ser podadas próximas da primavera, antes que floresçam. Já as de repouso falso devem ser podadas após a floração, ou seja, após o inverno. Por fim, a poda em espécies sem repouso, que florescem no inverno, pode ser feita entre o fim do período de florescimento e o início da frutificação.
Quando se fala de corte, é preciso ter em mente o local que será cortado. Logo após, é preciso localizar o anel (bifurcação dos galhos) e a crista (parte superior mais grossa) para que o corte se inicie do ponto mais espesso até o mais fino - corte esse que deve ser feito em três etapas, para que a árvore não seja ferida.
Num ambiente de condomínio, o ideal é entrar em contato com uma empresa ou equipe especializada nesse tipo de serviço, para que seja possível evitar erros de corte e as consequências de um trabalho amador.
Quando uma árvore deve ser podada?
Resumindo: para que uma árvore seja podada, é preciso que ela esteja doente ou oferecendo risco para a população. De tal maneira, alguns dos pontos a serem avaliados para se considerar ou não uma poda são:
Existem ramificações soltas que podem cair?
Existem troncos infestados por pragas?
A árvore está alcançando a rede elétrica?
Os troncos estão obstruindo o acesso a portões e grades?
A árvore está desgastando a estrutura do local?
As raízes comprometem o encanamento de água?
É uma espécie plantada indevidamente?
O consumo de nutrientes da planta compromete o jardim?
A árvore está doente?
Caso não se enquadre em tais motivos, a poda não pode ser realizada, e caso seja feita, uma multa será emitida. Se uma árvore do condomínio se encaixar nos pré-requisitos da poda, o síndico deve convocar uma assembleia para que os moradores discorram sobre o procedimento.
E quem é que faz a poda, um órgão público ou o próprio condomínio?
Aí depende. Normalmente esse papel acaba sendo dos órgãos públicos, mas existem lugares que autorizam a execução particular da poda, por parte de cidadãos ou condomínios - desde que tudo seja feito dentro do proposto pela lei. Contudo, o manejo da vegetação é fiscalizado, independente da plantação estar numa área pública ou particular.
Caso deseje realizar uma poda, o condomínio deve enviar uma solicitação de autorização da prefeitura, com pelo menos 10 dias de antecedência, incluindo um diagnóstico feito por um engenheiro florestal ou biólogo para explicar o motivo e o responsável pelo procedimento. O indivíduo que for escalado para o serviço deverá seguir as regras impostas no Manual Técnico de Poda de Árvores.
Caso escolha um órgão público para realizar a poda, o síndico deve solicitar o serviço junto ao órgão ambiental responsável, municipal ou estadual. A ata da assembleia deve ser apresentada juntamente com as evidências da demanda da poda e a documentação do condomínio.
Finalizado o processo de solicitação, tudo é encaminhado para um setor responsável para que a equipe do órgão público tome as providências. Se houver uma cláusula nas leis municipais que fale sobre compensação ambiental, o condomínio irá se responsabilizar pelo cultivo de uma nova árvore num lugar seguro.
Se não houver autorização governamental, o que pode acontecer?
Existem punições previstas na lei para os indivíduos que podam árvores sem a devida autorização. Além da emissão de uma multa, há prefeituras que exigem um novo plantio das árvores. Se houver uma denúncia de poda ilegal, o condomínio corre o risco de receber uma advertência escrita, além de multas que podem chegar a mais de 10 mil reais.
E nenhum síndico quer ter essa dor de cabeça, não é verdade? Caso o problema aconteça, o ideal é manter os moradores calmos e buscar soluções sempre conforme a lei.
E aí, tá bom ou quer mais? Não é preciso ser jardineiro para entender um pouco de jardinagem - com alguns conhecimentos básicos, já é possível identificar certas situações, resolver problemas e evitar alguns acidentes. Além disso, é importante saber lidar com profissionais e empresas que serão contratados para cuidar do jardim do condomínio.
Todo mundo adora um jardim florido enfeitando o espaço, não é verdade? Para essas e mais dicas de como preservar a área verde do seu condomínio, baixe o aplicativo Seu Condomínio, a plataforma completa para síndicos e moradores - disponível para IOS e Android.